Meu
amigo que gosta de inventar conjecturas disparatadas para falar sobre as coisas
que acontecem conosco, apareceu-me recentemente, com a filosofia dos legumes,
uma ideia engraçada, mas interessante. Comparou a nossa vida a um prato de
comida e lembrou-me que muitas vezes, enquanto crianças fazíamos a nossa
revolução no prato. Claro que fiquei confuso. Ele percebeu pela minha cara de
peixe estragado e explicou didaticamente o que pensava, começando por me
lembrar como as crianças, geralmente têm problemas com os legumes, elas não
gostam e só comem por causa da ditadura das mães, ou da corrupção dos pais. Mesmo
assim, elas sempre calmas e tentando fazer o menor alarde, separam no próprio
prato o repolho, a cenoura, o espinafre, o tomate, etc., fazendo sua revolução silenciosa,
separando o que gostam, do que não gostam, sem discursos inflamados de
indignação, ou gritos fanáticos contra quem cozinhou. Elas entendiam que é um vício frequente condimentar a comida
com aquelas especiarias e por esta razão não havia muito a fazer senão esperar
ter a oportunidade para separar o que realmente lhe interessava. Por isso,
segundo o meu amigo, devíamos aprender com as crianças e ao invés de passarmos
a vida a gritar histericamente por quase tudo e até por aquelas coisas, que
mesmo mudando não influenciariam ou influenciariam muito pouco nossas vidas,
talvez fosse mais inteligente passar a separar (silenciosamente) os legumes da
nossa vida, em silêncio, sem aquele alarde costumeiro, que na maioria das vezes apenas serve para
chamar atenção da cozinheira tirana.
Mostrando postagens com marcador filosofias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filosofias. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 5 de abril de 2012
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Filosofias de botequim
Sou apaixonado por conversas de botequim, pois são uma boa oportunidade de discutir vários assuntos de maneira muito despojada. Não é por acaso que são conversas de boteco. De vez em quando participo dessas rodas e me masturbo com teorias ridiculamente insólitas e quase sempre me sinto um verdadeiro fundamentalista numa aula sobre como construir sua própria teoria de conspiração. Mais interessante de tudo, é que normalmente é possível saber quem são as pessoas à volta só pelos assuntos que elas escolhem. Solteiros se empenham em falar da sua vida sofisticada, de como prezam a sua independência, escondendo convenientemente a frustração da sua vida solitária. Casados se gabam da pseudo-genialidade dos seus filhos, e parece esquecerem-se propositadamente que o mínimo que se espera de uma criança com 8 anos é que seja capaz de correr, falar e comer sozinha. Divorciados ressaltam orgulhosamente como é bom voltar a ser solteiro e que pagar a pensão para a “Ex” é um pequeno preço pela dádiva da liberdade. Eles mentem descaradamente sobre não desejarem nunca mais voltar a casar.
Infelizmente é quase impossível descobrir sobre o que as mulheres falam, mas com certeza elas debocham da vida patética dos homens tratando de ressaltar como as suas são tão cheias de sentido, e claro, nunca deixam de falar de roupas, sapatos e compras de cada vez que a conversa parece não prosperar.
Os assuntos fazem um rodízio desnecessário e a profundidade da conversa depende diretamente de quantas rodadas já se consumiram, entre uma e outra, dá para ouvir filosofias interessantes sobre os temas mais importantes da nossa sociedade como a diminuição da popularidade do casamento, principalmente desde que os homens descobriram que não precisam casar para copular, e desde que se criaram os bancos de esperma para as mulheres, onde felizmente agora é possível ter filhos que parecem um nú artístico, com todas as qualidades que existem apenas no imaginário feminino (mais inteligentes, mais lindos, mais sensíveis, mais humanos, mais saudáveis, mais etc) e sobretudo, que não sofrem a influência tão destrutiva do pai.
Imagem: www.http://gutocapucho.zip.net/
Assinar:
Postagens (Atom)
