Alguém já ouviu falar de Chronos e Khairós? Pois bem, estes são os senhores do tempo. Um (Chronos) é o tempo cronológico, o tempo impiedoso e rígido, que regula as horas, os dias, as semanas e assim por diante. Vivemos grande parte da nossa vida pela emergência de Chronos, fazendo planos para quase tudo o que se pode imaginar e às vezes essa obsessão para controlar nossas vidas, acaba por nos prejudicar em vez de beneficiar. Definimos quando vamos relaxar e por quanto tempo, que ainda não é hora de nos apaixonar, conhecer pessoas interessantes e divertidas, de testar coisas pelo simples prazer e assim deixamo-nos governar pela tirania desse tempo insensível, que negligencia nossas necessidades emocionais, por isso, surge o Khairós. Bem mais poético e flexível que o primeiro, aquele que nos lembra, que viver não é apenas essa preocupação neurótica com o planejamento, é o tempo da praia não só nas férias, mas a qualquer altura em que tivermos vontade, do prazer que não é recompensa de coisa alguma, da onda que nos faz rolar preguiçosos na areia, da brisa com cheiros diversos, da degustação das aventuras que não estão na agenda e das tardes ou dias de puro ócio, sem preocupações com qualquer coisa diferente de um verdadeiro motivo de felicidade. Por isso, meu Khairós, é meu tempo de amar, de dar-me ao direito de sorrir e flertar com a vida, com as nossas paixões, sonhos antigos e amores não resolvidos devido à tirania de Chronos. Meu Khairós é por isso, também minha razão para encontrar motivos que me façam acreditar em coisas impossíveis, invenções que levam a vida toda, realizações que acontecem de forma pachorrenta, sem pressa, sem urgências, sem estimativas, sem planos estratégicos, mas que apenas acontecem no meio daqueles momentos totalmente inesperados, que permitem o beijo inadvertido, a poesia instantânea e/ou a música que entra sem avisar, mas que nem por isso incomoda.