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terça-feira, 7 de junho de 2011

Passado, tecnologia e saudade

Todos acharam que o mundo seria melhor, depois do século XIX, com a torrente de descobertas e mudanças de crenças mesmo em relação àquelas coisas em que isso parecia impossível. Surgiram idéias arrojadas e as pessoas esqueceram momentaneamente aquela arrogância religiosa, que considerava heresia, tudo o que a sua sagrada ignorância não deixava entender. O mundo tornou-se um laboratório da ciência e nada mais podia ser anormal, apenas: pouco estudado, com resultados inconclusivos ou parte inicial de pesquisas ainda em andamento. E enquanto os nossos cientistas se propunham a mudar por completo todo o sistema de coisas que conhecíamos - resultado da nossa parca compreensão do mundo -, o próprio homem deixou de ser, aos olhos desses mestres-cuca, aquele que caminhava em direção a algum lugar transformando-se num paradigma heurístico dos processos biopsicossociológicos, que só agora dava aqueles passos tão necessários em direção à perfeição.
A maior parte passou a acreditar entusiasticamente, que se tinha sido possível evoluir até ao homo-sapiens, é porque estávamos destinados a muito mais.
Na verdade evoluímos, mas ainda precisamos de um cérebro maior para absorver todas as obscenidades, que a sociedade atual produz, ou um corpo assexuado, o que daria o suporte biológico necessário para fazer a humanidade compreender, que a emancipação da mulher é antes de tudo uma necessidade evolucionária. Sem dúvida precisaríamos também de escamas para proteger-nos da destruição da camada de ozônio e livrar-nos das emoções que tanto atrapalham na tomada de decisões, mas o melhor de tudo seria banir definitivamente o contato físico, o que nem seria difícil, já que os celulares, junto com outras facilidades como a internet têm-nos ajudado muito a perceber como ele é desnecessário e dispendioso. Talvez não tarde muito para que várias outras coisas possam ser feitas por essa via, afinal, já temos o sexo virtual, uma forma de relacionamento moderna, que tem facilitado muito a vida social do ser humano. Menos constrangedor, menos sujo e sem dúvida, mais saudável e seguro.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Tecnologia, casamento e solteirice

“Se casamento fosse bom, não haveriam divorciados”. Essa frase é sem dúvida de algum solteiro pretensioso, que se quer desculpar do seu egoísmo irresponsável tratando de convencer o resto do mundo de que não existe nada melhor do que essa vida desregrada e sem limites na qual a linha que separa a sensatez da irresponsabilidade é a capacidade de bancar suas próprias bebedeiras. Imagino que casados também tenham as suas frases, talvez não tão inventivas, até porque eles só têm tempo para pensar em coisas supérfluas nos quase inexistentes intervalos entre as suas tarefas de esposas diligentes, maridos compreensivos e pais atenciosos. Porém não nos esqueçamos que, ao contrário dos solteiros, eles podem orgulhar-se de darem importantes contribuições para a sociedade, pois, graças ao casamento, a família ainda é sinônimo de boa educação e delinquente juvenil é quase sempre confundido com órfão ou filho de pais ausentes, além de ter-se percebido também que ladrões, prostitutas, e drogados são pessoas que não tiveram qualquer estrutura familiar. Outra coisa de que há muito se desconfiava e que só agora se tem a certeza é que, enquanto engenheiros, médicos e advogados vêm de boas famílias; professores vêm de famílias pobres. Em suma, os casamentos ajudaram-nos a observar transformações interessantes e a encontrar explicações para fenômenos antes incompreensíveis, além de contribuirem profundamente para a desconstrução dos preconceitos mais importantes das nossas sociedades. Com o desenvolvimento alcançado nos casamentos, passamos a acreditar que gays são filhos de mães solteiras e que pedofilia e embriaguês são doenças cromossômicas.
Há poucas descobertas nas sociedades atuais que não dependem dos casamentos, por isso talvez o solteiro seja uma grande desvantagem tecnológica.