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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Clima de mudança


Poucas coisas têm mudado tanto as nossas vidas quanto o clima e se aceitarmos o que nos dizem os cientistas devemos a ele a nossa sobrevivência, afinal livrou-nos de animais pré-históricos como os dinossauros. Se não fosse por ele, não gritaríamos tão orgulhosamente que, estamos no topo da cadeia alimentar (esquecendo-nos convenientemente das bactérias) tudo porque sempre tivemos o clima do nosso lado. Porém, modernizam-se os tempos e modernizam-se também os usos que damos aos elementos do clima. Hoje são fonte de energia, material de pesquisa e o melhor de tudo um olho-d'água de inspiradoras justificações. As pessoas atrasam-se por causa da chuva, faltam ao trabalho porque sofreram uma insolação, ou adoecem com a mudança de clima. E é claro, que os políticos não perdem a oportunidade de usá-lo para justificarem as suas campanhas, prometendo terminar o desmatamento ao mesmo tempo em que gastam toneladas de papel em relatórios totalmente desnecessários, ou estabelecendo metas para a redução dos gases de efeito estufa em escritórios com ar condicionado. Recriminando a má distribuição de renda enquanto sorvem a comodidade dos seus opulentos orçamentos.

Entram em bairros pobres com a melhor proteção possível, acenando com sorrisos de falsa devoção, inventando histórias onde eles mesmos são pessoas do povo, de origens humildes, conhecedores das suas desgraças e sensibilizados pela falta de qualquer condição de humanidade. Tudo para assegurarem a simpatia dessas pessoas que na maioria são carentes de tudo. Exploram a ignorância e a humildade dessa classe com promessas que não serão obrigados a cumprir. Distribuem abraços calorosos aos marginalizados, para quem reservam uma polícia cada vez mais severa e uma justiça cada vez menos cega. Culpam os adversários pela seca, pela desertificação e pelo desflorestamento, enquanto agradecem o apoio de algumas corporações com uma modéstia totalmente comprometida. Em dias de chuva exaltam os pequenos agricultores e em dias ensolarados promovem o uso de energias não poluentes. E no final, prometem mudar tanto quanto as estações do ano.


domingo, 1 de agosto de 2010

Camuflagem perfeita

Sou como a maior parte da população, um verdadeiro camaleão. Dependendo da companhia eu visto a cor da bandeira. Se estiver com políticos, meus discursos inflamados se prostituem com promessas que nunca se cumprirão. Aproveito falar das minhas convicções partidárias tendo o cuidado de defender sempre os oprimidos, pobres e desintelectualizados espalhados por aí. Faço questão de apoiar leis fascistas camufladas de vantagens para as classes desfavorecidas. Grito hipocritamente em nome de um povo sobre o qual nada conheço e de quem provavelmente fugiria se encontrasse, porque na minha ignorância de cidadão de “primeira” eu sei que eles são perigosos criminosos.
Tenho a certeza de que não me diferencio daqueles falsos intelectuais, que vociferam filosofias de botequim enquanto deixam escapar inadvertidamente o seu desprezo por quem não se instruiu, discutindo irresponsavelmente sociologismos baratos alimentados por teorias sobre quase nada e que se provam por si mesmas há séculos.
Confundo-me no meio de uma multidão preconceituosa, que pensa que deve esconder seus preconceitos sobre si mesma tentando desesperadamente manter atrás da cortina o apartheid em suas cabeças, enquanto desfilam com idéias que contrastam com sua postura quotidiana.
Não sou diferente dos homens que escondem a sua fragilidade por detrás de um cavalheirismo pretensamente machista, ou dos que vivem uma ilusória liberdade, se envenenando diariamente com uma perigosa necessidade de ignorância, assimilando realidades aparentemente irreparáveis e se conformando com um sedentarismo ideológico secular.
Normalmente me sinto uma promessa religiosa, que se cumpre apenas na esperança, porque nunca chega, entretanto, ninguém se desespera, mas sou principal e essencialmente um ser humano e acho que isso diz tudo sobre mim!
Imagem retirada do blog: http://liuleite.blogspot.com.