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domingo, 1 de agosto de 2010

Camuflagem perfeita

Sou como a maior parte da população, um verdadeiro camaleão. Dependendo da companhia eu visto a cor da bandeira. Se estiver com políticos, meus discursos inflamados se prostituem com promessas que nunca se cumprirão. Aproveito falar das minhas convicções partidárias tendo o cuidado de defender sempre os oprimidos, pobres e desintelectualizados espalhados por aí. Faço questão de apoiar leis fascistas camufladas de vantagens para as classes desfavorecidas. Grito hipocritamente em nome de um povo sobre o qual nada conheço e de quem provavelmente fugiria se encontrasse, porque na minha ignorância de cidadão de “primeira” eu sei que eles são perigosos criminosos.
Tenho a certeza de que não me diferencio daqueles falsos intelectuais, que vociferam filosofias de botequim enquanto deixam escapar inadvertidamente o seu desprezo por quem não se instruiu, discutindo irresponsavelmente sociologismos baratos alimentados por teorias sobre quase nada e que se provam por si mesmas há séculos.
Confundo-me no meio de uma multidão preconceituosa, que pensa que deve esconder seus preconceitos sobre si mesma tentando desesperadamente manter atrás da cortina o apartheid em suas cabeças, enquanto desfilam com idéias que contrastam com sua postura quotidiana.
Não sou diferente dos homens que escondem a sua fragilidade por detrás de um cavalheirismo pretensamente machista, ou dos que vivem uma ilusória liberdade, se envenenando diariamente com uma perigosa necessidade de ignorância, assimilando realidades aparentemente irreparáveis e se conformando com um sedentarismo ideológico secular.
Normalmente me sinto uma promessa religiosa, que se cumpre apenas na esperança, porque nunca chega, entretanto, ninguém se desespera, mas sou principal e essencialmente um ser humano e acho que isso diz tudo sobre mim!
Imagem retirada do blog: http://liuleite.blogspot.com.

domingo, 18 de julho de 2010

Liberdade de mulher



A pílula talvez seja uma das invenções mais importantes para a mulher moderna. Nada melhor do que a liberdade paradisíaca, resultante dessa miraculosa poção da modernidade.
Antes, apenas a mulher arcava com as conseqüências da ausência destes milagres tecnológicos, hoje ela é a maior beneficiada, economizando mais tempo para as suas necessidades estéticas, redescobrindo a beleza e reinventando funções para partes do corpo que antes não serviam para nada mais além da automaticidade materna reforçada por uma política despropositamente secular, usada para justificar a primaticidade dos instintos humanos.
Das mini-saias aos saltos, do simples rímel aos cilicones, a auto-estima feminina foi resgatada. O resultado não são apenas mulheres mais bonitas e mais altas, mas um maior espaço para mostrar que o fogão e o tanque jamais serão seus únicos destinos. Os homens agora se assustam, porque já não competem apenas com uma diligente doméstica, mas com adversários completos, que além de excepcionalmente atraentes provaram, muitas vezes serem mais inteligentes. Enquanto fingem conversar sobre futilidades, deixam os homens convencerem-se de que são mais espertos permitindo-lhes brincar com adjetivos como forte, prático e racional, que nada mais oferecem além de significados vazios e quase nenhuma utilidade. Por fim, encurralam-nos numa patética e subserviente vida, dividida entre a cerveja com os amigos na sexta à noite e o futebol no domingo à tarde. Enfim, chegamos ao ponto em que para tanta mulher tomando a pílula da auto-suficiência, há centenas de homens que ainda contam com a sua diligente doméstica (Amélia). Assim, é claro que faltam homens!
Obs: A foto acima foi retirada do site: http://www.br.taringa.net