quarta-feira, 19 de maio de 2010

LANÇAMENTO DO ROMANCE

O LADO OBSCURO DO AMOR


"O epílogo é original e surpreendente. Trata-se de um Romeu e Julieta do Século XXI, em que o autor utiliza com pertinência, o recurso do fluxo da consciência, apresentando por isso uma forte tendência psicológica."

Prof. Doutor Rúbens Pereira dos Santos
Especialista em Literaturas de Expressão Portuguesa.


Sobre o romance
O romance tem como personagens principais os jovens Sara e Abelardo. Sara, uma jovem em conflito com a família devido às imposições que lhe são frequentemente colocadas, Abelardo um jovem delinquente, que ficou órfão por conta da guerra civil em seu país. o livro conta não somente a dinâmica da relação dos dois, mas a influência e interferência da família na mesma, incluindo dessa forma caracterizações relativas à forma como se concebem estas relações na óptica africana, numa sociedade em que se vive uma conflituosa conciliação entre os costumes locais e a influência ocidental, com os jovens como força-motriz dessa transformação. A história desenrola-se em Luanda, capital do país, e nesse contexto trata-se de referir aspetos sócio-culturais desta cidade e não só. são feitas referências históricas sobre as lutas de resistência colonial levadas a cabo pela rainha Nzinga Bandi e ainda sobre o estado econônico-social do país.
O mesmo é de autoria de Felizardo Costa que adota o pseudónimo: Felizardo Tyiengo.

CONVITE PARA LANÇAMENTO

CONVITE PARA LANÇAMENTO


A velha história da árvore, do filho e do livro. Conheço muito poucos que podem se dar ao luxo de dizer: ufa! Porque sempre falta uma coisa ou outra, quanto a mim, comecei por aquela que alguns deixariam por último, claro, a árvore não é tão complicada, como diz um amigo meu basta apenas regar um feijoeiro e a maior parte já fez isso ainda que por engano, e fazer fedelhos sempre foi historicamente mais fácil, principalmente para os homens. Eu estou na fase três, que não foi muito fácil, mas posso dizer de boca cheia, foi mara e por isso, prometo não parar. E como não dá para deixar de festejar este dia, estou convidando você a dividir algumas coisas a respeito do lado obscuro do amor.
Nesse dia, terá um programa organizado especialmente para quem for ao lançamento:
1. Com saxofone tocado ao vivo;
2. Bate-papo exclusivo do autor com os presentes e
3. Sessão de autógrafo.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Primeiro emprego (Desempregado)

Hoje sonhei com o meu 1º emprego. Percebi logo no início, que se tratava de um sonho porque, comecei com grandes regalias. – Um crédito que me dava direito a uma casa (modesta mas minha), um carro (em segunda mão, com amortecedores partidos e alguns riscos na pintura, mas fruto do meu trabalho e suor).Até podia tirar férias a um lugar em que as férias eram chamadas de rest e fim-de-semana, holidays (dias sagrados, achei!).Já podia sentir-me orgulhoso, sem que alguém me dissesse que “orgulho é pecado”. Não foi difícil notar, que já não me preocupava com militância partidária e em arranjar nomes feios para a governança; em parte porque andava ocupado em aproveitar as coisas boas que me eram oferecidas. Já concordava com o meu pai que sempre disse: - só os pobres são invejosos, gananciosos, falsos e mentirosos”.Assim, até apetecia fazer um testamento para a prole, mas na altura de projectar a reforma, partiu-se o pau que servia de suporte para a minha cama, cai sobre o chão de cimento irregular do meu “pequeno” cubículo e reparei meio trôpego ainda, que o relógio/despertador não tocara, a sineta tinha falhado mais uma vez. Como todas as minhas tentativas dos últimos meses na busca de um emprego. Disparei um xingamento à governança, depois de ter-me lembrado, que ainda não tinha pago a quota do partido. Fiquei com alguma inveja do vizinho que buzinava ao lado da minha casa e lembrei-me que pelo menos era mais feliz que ele por não ter que aturar patrões; e salários míseros só de 45 em 45 dias.

terça-feira, 23 de março de 2010

DILEMA DOS PAIS

Ser pai ou mãe é difícil por muitos motivos. Os filhos, pequenos e frágeis precisam de muito mais que proteção física e material. Amor e carinho são ingredientes indispensáveis. Eles passam por vários testes, todos dificílimos e complexos, de pôr em parafusos qualquer um. Meu amigo que acabou de ter seu filho me contou sobre uma situação que ele achou o mais difícil dilema com que ele já teve de lidar, e olha que ele é Pós-doc em Matemática e sua esposa que também vem de uma família de cérebros extraordinários quase entrou em depressão. Só mesmo a avô, com sua sabedoria empírica e o bom senso de alguém que já viu 97 primaveras, pôde resolver.
- O problema é pensarem demais, dizia a senhora, no meu tempo, isso nunca foi um problema, precisava-se de um e apenas pensávamos nos padrinhos de casamento se era menino, do padrinho servia, se menina, usávamos mesmo da madrinha e se o casal não era casado e não tinha padrinhos, lógico, era ver na agenda o santo do dia. A igreja católica é cheia de santos, tem santo pra tudo que você pode imaginar. Deve ser um dividir para melhor reinar, lá no céu, que só visto. Todos eram católicos no meu tempo e por isso nenhuma família recusava um santo. Teve tempos em que os políticos estavam em voga e o povo se apossava dos seus sem o menor remorso, o dono nem era consultado, nessa altura, o pior era ter tirado de político corrupto. Quando passaram-se a estudar os reinados na escola, todos queriam de um rei ou rainha, quem não queria uma majestade lá em casa, e aconteceu o mesmo quando começou o oba oba dos deuses gregos, que maravilha, os velhos tinham inveja dos novos e adotavam alguns para eles mesmos, foi assim que eu peguei o meu. Mas a fase mais interessante foi quando começaram a se popularizar os movimentos reivindicativos e os intelectuais hasteavam a bandeira da revolução, aí surgiram duas facções: as que tiravam dos filósofos, homens de idéias grandiosas criadores das ideologias que escamoteavam os governos que nem eles dirigiriam melhor e os que tiravam dos reacionários, que usavam o ódio dos pobres pelos ricos para angariarem partidários. O boom mesmo foi com a geração dos artistas, nunca vi nada igual. Os que já tinham queriam mudar, claro que as coisas eram mais fáceis para quem ainda não tinha.
Na época dos direitos iguais, tudo mudou, mulheres e homens se juntavam e davam aos seus filhos, na verdade eles sempre deram, mas agora era de maneira mais livre. Um incesto moral, mas a culpa não era de ninguém, cada dia parecia mais, que todos já tinham sido escolhidos; na China, inclusive, os Jonh Lee foram proibidos porque já eram demais. Os que não tinham sido dados às pessoas começaram a ser dados às ruas, às avenidas, aos bairros, até túneis, viadutos e estradas, simples amontoados de betão receberam os seus próprios, por isso entendo o vosso dilema. Agora, até os programas de computador têm um nome: windows 7, Office 2007, Miguel 2.3.7.0.1. Os nomes nunca foram tão ridículos.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

MEU VÍCIO É A LIBERDADE

Parte III

A fila não estava tão grande como eu pensava. Talvez só eu estivesse com frio. Só os meus ossos rangessem nesse clima que parece ameno para a maioria, ou perderam esperança? Muitas pessoas perdem esperança, deixam de lutar, na maioria das vezes nem precisam de um motivo, só de sentir que já não têm esperança, que já não precisam ter. Você acha que é uma questão de lógica? Eu defendo que não, que a lógica é que nos faz esquecer quem somos. Racionais? Não me parece. Os ratos são racionais, os cachorros são racionais, os pássaros são porventura mais racionais do que nós. Emocionais, isso sim, nós somos seres emocionais, somos como nós mesmos, emocionais.

Quase entro de olhos fechados, só sinto os cheiros, não vejo absolutamente nada, mas a minha intuição me diz que é tudo tão degradante quanto o cheiro que eu sinto. Eles oferecem sopa ou jantar, eu fico com a minha lasanha, é melhor assim. Já me arrependi por ter vindo, amanhã vai ser o mesmo, primeiro venho e depois me arrependo, esse momento sabe à vermelho, mas tudo isso passa como as cores na tela de um pintor, ele as mistura buscando um efeito diferente nunca a mesma cor, nunca o mesmo vermelho... A minha vida é essa tela, quem é o pintor? É isso que queres saber? Sinto muito, eu também estou procurando por ele.

As manhãs nesses lugares são sempre diferentes da noite, numa casa normal o cheiro é sempre o mesmo, imutável, aqui os cheiros são diferentes. Uma banana nunca cheira igual a outra banana, um sorriso nunca é o mesmo, um cinismo nunca é um verdadeiro cinismo, às vezes é exatamente o contrário, ou é simplesmente uma resposta despolitizada. Eu me divirto com isso e penso: aqui os discursos políticos são iguais aos religiosos, o vômito dos homens é igual. Tudo que era diferente se torna igual e o que era igual se torna diferente. Hoje aquela cama tem o meu cheiro, Deus queira que continue a ter na próxima noite.


Felizardo Costa